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Psicólogo: Odair J. Comin
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Depois da Hipnose Minha Vida Mudou |
Três agarotas comprovaram que a reprogramação do cérebro pode ajudar a superar traumas, controlar a ansiedade e a depressão e até a perder peso. Entenda tudo sobre essa técnica que está dando o que falar.
Você está com sono, muito sono... Quantas vezes você já viu personagens de desenhos animados balançando um pêndulo, repetindo essa frase e fazendo hipnotizados obedecerem às suas ordens? Esqueça a ficção. Longe das telas, na vida real, a hipnose é um tratamento sério que vem sendo cada vez mais procurado para vencer os males da vida civilizada. Quem não conhece alguém que foi assaltada e ficou com medo de sair de casa? Ou uma amiga deprimida porque perdeu o emprego? Ou ainda aquela outra que morre de medo de avião? Fobia, depressão, ansiedade, angústia, stress são alguns dos problemas que a hipnose vem resolvendo com sucesso. Tanto que, em 1998, médicos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, divulgaram um estudo para o mundo inteiro comprovando a eficácia do método para mudar padrões de comportamento pela atuação no inconsciente. Antes de duvidar da idéia, veja como a hipnoterapia funciona. Para chegar na origem do problema, o hipnoterapeuta vai conduzi-la a relaxar profundamente até atingir um estado alterado de consciência. "Nesse estado, há uma diminuição da autocensura que permitirá que você fale sobre eventos que, quando acordada, não se lembra", explica o psicanalista Rubens Marcelo Volich. Ao acessar esse "banco de dados" escondido, o terapeuta é capaz de interferir na forma como esse arquivo está disposto, mudando a forma como você encara os problemas ligados àquele episódio. O primeiro passo para um tratamento é uma longa conversa com o terapeuta, em que ele levantará seu histórico completo. Depois, você será convidada a colocar-se numa posição bem confortável sentada numa cadeira ou deitada numa cama. Há diversas técnicas para estimular o transe; a mais comum é a repetição de palavras ou frases em tom monótono. "São frases curtas, com pequenas pausas, que reduzem o ritmo cerebral e deixam o organismo num estado profundo de tranquilidade. Trabalhamos então com imagens, fazendo com que a garota enxergue algumas situações e tenha sensações correspondentes", explica o psicólogo e hipnoterapeuta Odair José Comin. O médico José Álvaro da Fonseca conta o caso de uma mulher que comia demais porque vivia ansiosa, tentando render mais e mais no trabalho. Ele a hipnotizou e construiu cenas onde seu desempenho profissional melhorava, eliminando a causa da ansiedade. Resultado: a autoconfiança da paciente foi reforçada e ela emagreceu. É como mudar uma chave no cérebro. Só que, para atingir esse estado de consciência alterado, você precisa estar disposta a isso. Ninguém é hipnotizada contra a vontade, muito menos faz coisas que não faria se estivesse acordada. "Mesmo em transe, nunca agimos contra nossa moral, nossos princípios. Não entramos em outro mundo: sabemos tudo o que acontece ao redor, como o telefone tocando, as buzinas dos carros passando, a porta batendo", explica José Álvaro. Segundo ele, na maioria das vezes, são necessárias cerca de oito sessões de 50 minutos em média para sanar um problema. A consciência que censuraO segredo da hipnose, na verdade, é o estado entre o sono e a vigília. É neste momento que o consciente esse danado que questiona tudo e que muitas vezes esconde seus traumas de você mesma fica neutralizado. Sem a censura do consciente, o terapeuta fisga a origem do problema e faz com que você vivencie as experiências traumáticas novamente, só que de uma forma suave. Ele pode ainda diminuir ou anular uma dor, convencendo o cérebro de que aquela sensação não existe. Era isso, aliás, que muitos médicos faziam na Segunda Guerra Mundial, uma vez que precisavam operar pessoas sem anestesia. "Você pode ativar processos desse tipo por conta própria e se auto-hipnotizar. É uma questão de treino", diz o hipnoterapeuta Jean Jacques Buhannic, certificado pela National Guild of Hipnotists, dos Estados Unidos. "Tente se auto-sugestionar o tempo todo: fale bem de si mesma, pare de se criticar, acolha seus erros, adote uma postura positiva." Sem medo do espelhoNão é consenso entre os hipnoterapeutas, mas há os que afirmam que, na luta contra a balança, a hipnose pode ser uma grande aliada. Afinal, conscientemente, você sabe o que precisa fazer para perder peso: dieta e exercícios. Então por que a solução não é tão simples quanto deveria? Na maioria dos casos, a culpa é da ansiedade, que faz você comer mesmo quando não está com fome. E é aí que a hipnose pode atacar com eficiência. "A garota ansiosa perde o foco do problema, não consegue enxergar com transparência o que está acontecendo. A hipnose ajuda a lidar com a ansiedade, não impedindo que ela surja, mas permitindo a você deixá-la sair de forma saudável, sem fazer da comida uma válvula de escape", explica o médico Leonard Verea, presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose Clínica e Dinâmica. Além da ansiedade, há outros fantasmas que perseguem quem não consegue perder peso. E o estado hipnótico funciona para tentar descobrir qual o seu problema específico e a melhor maneira de lidar com ele. O tempo de tratamento varia de acordo com as barreiras a serem superadas, mas dura, em média, de três a seis meses, com uma sessão por semana. Só um alerta: a hipnose é uma ferramenta que trabalha a raiz dos problemas emocionais, e não diretamente suas conseqüências. Isso quer dizer que o ideal é unir o tratamento a uma dieta e à malhação. Assim, o trabalho é conjunto, pois a hipnose ajuda você a seguir seu plano de emagrecimento sem sair da linha. Em transe, sem riscoNão há nenhum órgão oficial que regulamente hipnoterapeutas. Profissionais de saúde (médicos e dentistas) ou psicólogos são os que mais recorrem ao método. Escolha alguém que tenha feito pelo menos mais de um curso a respeito no Brasil, o Instituto Milton Ericksson é um dos principais centros de formação em hipnose. Hipnose requer prática. Prefira profissionais que já usam o método há muito tempo e com freqüência. Uma sessão de hipnose mal conduzida pode despertar problemas que ainda não existiam. Por isso, antes de escolher o terapeuta, procure indicações com um médico ou psicólogo de sua confiança. DepoimentosPerdi 8,5 kg em dois meses. Me livrei da depressão. Voltei a respirar.
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| Fonte: Revista Boa Forma |
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