Do
Fracasso ao Sucesso Profissional
Por
Odair José Comin
O
que você vai ser quando crescer? Desde muito cedo,
nossos pais e a sociedade nos colocam de frente com a
responsabilidade de ser “alguém na vida”.
A cobrança é para que comecemos a pensar
e escolher qual será nossa profissão no
futuro. Crescemos com uma responsabilidade que é
passada de geração em geração,
e desde muito cedo, nossos pensamentos são povoados
por esta escolha. O reconhecimento e o sucesso profissional
são almejados por todos aqueles, que de alguma
forma usam sua capacidade para criar e gerar desenvolvimento,
em qualquer área de atuação e isso
é cultural.
Em
muitos casos, continuamos querendo o que queríamos,
mas na maioria das vezes, novos caminhos se apresentam
e optamos por outras escolhas. Poucos são aqueles
que tornam-se “astronautas”. Seguir a profissão
dos pais, profissões do futuro ou profissões
que garantirão com mais facilidade um alto retorno
financeiro. A escolha nem sempre é baseada no prazer
que se obterá exercendo tal função.
E isso pode ser um grande colaborador para o fracasso
profissional, senão este, o fracasso enquanto ser
humano realizado. O que acaba influenciando e extrapolando
para a vida pessoal.
É
necessário pensar mais afundo na escolha da profissão,
pois é provável que passe a maior parte
da sua vida exercendo essa escolha. O trabalho deve dignificar
o homem e não escraviza-lo, pois quando exercemos
uma profissão da qual não gostamos, isso
é uma forma de escravidão, um fazer a contra
gosto. Esperar a aposentadoria para se fazer o que gosta,
nem sempre é uma boa escolha, a sensação
de ter perdido o tempo ou a vida pode ser arrebatadora,
trazendo dor e sofrimento.
Fracasso Profissional
Certamente
qualquer indivíduo quando traça uma meta,
começa um novo trabalho ou negócio, não
espera fracassar. Todavia, às vezes acontece e
isso faz parte, é natural, isso porque em nada,
pode-se garantir cem por cento de sucesso. Ninguém
é infalível, porém, sempre é
possível recomeçar de um novo jeito, aprender
com o que passou e aumentar as chances de sucesso no próximo
intento.
Nossas primeiras aprendizagens são tentativas entre
erros e acertos, fracassos e sucessos, e isso é
considerado normal, pelo fato de estarmos no início
de tudo, onde o mundo é um total desconhecido.
Com o passar dos anos, vamos sendo cobrados cada vez mais
e já não se pode errar, como se a vida nunca
oferecesse novidades, fosse sempre uma repetição
constante sem dinamismo. Cada situação ou
problema requer uma nova solução, temos
sim mais experiência, mas, mesmo assim estamos sujeitos
ao fracasso, pois as variáveis são infinitas
e nem todas dependem de você. Ocorrido o fracasso,
além da cobrança do outro vem a autocobrança,
podendo ser acometido pela depressão e um enfraquecimento
geral, não conseguindo reagir a tempo de dar a
volta e se recuperar num patamar já acima. As chances
de erro e acerto são as mesmas, aumentando ou diminuindo
dependendo de como este indivíduo lida com o que
acabou de acontecer.
Frustrações
Somos moldados para vencer, para ser o primeiro da classe,
no futebol, no judô, na natação ou
qualquer outra atividade de competição.
Além desta, a competição “caseira”,
onde você precisa competir com seus irmãos,
seus primos, ser tão bom quanto o pai, o tio, o
fulano e o cicrano. Com esta educação, vai
ficando cada vez mais difícil lidar com a frustração.
Não aprendemos ser melhores independente do outro,
a dar o melhor de si, dar nosso máximo para superarmos
a nós mesmo; precisamos superar o outro, e isso
nem sempre é possível, porque cada ser é
único, tendo suas limitações e superações.
Assim, somos derrotados e nos sentimos fracassados. E
para agravar, a falha ou derrota é motivo de castigos,
vindo dos pais, professores ou chefes. Ninguém
gosta de perder, errar ou fracassar. Também ninguém
estabelece um objetivo para fracassar, a questão
é que as vezes acontece, e precisamos aprender
a lidar com isso. Caso contrário sofremos e não
tiramos nenhuma lição positiva. Toda experiência
é uma oportunidade de aprender a ser e fazer melhor.
“Puxaram seu tapete”
O que fazer quando alguém puxa o seu tapete? Todos
estamos sujeitos a esse tipo de golpe na carreira profissional.
Isso porque o mundo corporativo nem sempre é um
mar de rosas e acolhedor. Prevalece a lei do mais forte,
do mais influente, do mais astuto, do mais esperto. Quando
você se torna a vitima, e é excluído
do quadro de funcionários, é o momento de
mudar seus conceitos, mudar suas estratégias e
partir para um novo começo. Sempre é possível
dar a volta por cima no melhor dos estilos. Uma nova empresa,
um novo chefe, novos colegas ou mesmo o início
de um negócio próprio. É importante
carregar toda a experiência da empresa anterior,
aprender com os erros e pontos negativos, porém,
o que realmente deve permanecer são os aspectos
positivos.
Transportar experiências é valido, entretanto,
é importante avaliar cada situação,
cada ambiente, para não correr o risco de agir
da mesma forma para situações diferentes
e vice-versa. As relações no trabalho são
um jogo, é sempre possível confiar nas pessoas
com certa cautela, é preciso estudar o ambiente
para que aos poucos possa se mostrar, ganhar espaço
e confiança dos pares gradativamente. Buscar o
equilíbrio no trabalho, em si mesmo e nas relações
humanas, se faz necessário para permanecer no trabalho
e conquistar o sucesso desejado. A percepção
deve estar sempre aguçada, sabendo onde se está
pisando, não ficando para trás, ou indo
longe demais antes do tempo necessário para o amadurecimento.
O crescimento precisa ser sustentado, precisa ter base.
As
pessoas estão em suas zonas de conforto, estão
acostumadas àquela rotina. A chegada de um novo
colega pode mexer com os padrões diários,
e isso pode causar estranhamentos e desentendimentos no
setor. Isso pode eliciar comentários preconceituosos
sobre o novo funcionário, assim como, não
ser bem visto frente aos novos colegas. Quando se quer
produzir uma mudança na disposição
dos móveis de uma casa, antes é preciso
se enquadrar àquela realidade, conhece-la e criar
empatia com os “moradores”. Após ganhar
a confiança, espaço e criar rapport, é
possível começar a sugerir algumas mudanças.
Não sugira um prato novo, antes de provar o “prato
da casa”.
Lidando com a mudança
A
mudança pode ser vista como um risco ou como uma
oportunidade. É possível estar preparado
para a mudança e fazer os ventos soprarem a seu
favor. É preciso arregaçar as mangas e começar
a trabalhar, porque as oportunidades podem estar à
sua frente, basta olhar com mais atenção.
Se caso ainda não estiver vendo, mude sua forma
de perceber, amplie seu campo de visão, procure
ver mais longe, por outros ângulos. O óbvio
as vezes é o que menos se vê, as soluções
podem ser mais simples do que você imagina, e estar
onde menos se espera. Seja ousado, vá além,
você poderá surpreender-se consigo mesmo.
O processo de mudança pode ser uma promoção.
Tornar-se líder. Para muitos é um sonho,
para outros um pesadelo. De repente você se depara
com a notícia: “você será o
novo chefe do setor”. Isso pode implicar em inúmeros
questionamentos internos. Será que sou capaz, será
que serei um bom chefe. Como meus colegas me verão
a partir de agora? Dependendo da assimilação
e da interação interna, o indivíduo
pode não conseguir lidar com a situação,
aceitando ou não o cargo. Também é
possível que como funcionário, o fulano
seja extraordinário, porém como chefe deixe
a desejar e não consiga desempenhar a função,
o que pode acarretar em demissão. Liderar pessoa
não é tarefa fácil, é preciso
saber relacionar-se e comunicar-se com o outro, além
de ter o conhecimento. O líder deve ser um facilitador
e estar junto com seu grupo. Em muitos casos há
um distanciamento. Enquanto o grupo está na base
da pirâmide, o líder está no topo,
solitário e sem comunicação, não
consegue descer e fazer com que toda a equipe cresça
junto. Portanto, o aparente sucesso pode tornar-se um
fracasso se não soubermos administrar esse sucesso
e
o lugar que ele nos colocou.
Vitória na derrota
Cair é um forte indício de que houve um
movimento, um caminhar. Só não caiu quem
nunca aprendeu a caminhar, e quando estamos na caminhada,
cair faz parte, tanto quanto se levantar. Se cair faz
parte da caminhada, levantar faz parte da chegada. Só
chega quem teve a força interior para suportar
a queda e seguir sem desistir até o fim. Precisamos
aprender a cair, isso faz com que nossa queda seja menos
“dolorosa” e a recuperação mais
rápida. Aprendemos a cair na medida em que nos
abrimos, e estamos disponíveis a aprender com a
própria queda. Quando começamos a perceber
os buracos pelo caminho e já não vamos ao
seu encontro, e sim os desviamos. Aprendemos a cair quando
os próprios exemplos e de outros, servem de suporte
para novas tentativas. Aprendemos quando ao receber um
não, pensamos que desta forma estamos mais próximos
do sim. O sim e o não estão misturados em
um grande funil, e a cada instante cai uma das bolas.
Se não foi desta, a próxima poderá
ser a que você esperava.
Todos
estamos sujeitos ao não, como uma demissão,
por exemplo. Do pior ao melhor funcionário da empresa.
De uma hora para outra nos tornamos supérfluos.
A empresa não necessita mais de suas habilidades.
Com a realidade global e da companhia, seus serviços
não são mais necessários. Você
foi um ótimo funcionário, mas infelizmente
estamos enxugando o quadro. As possibilidades são
inúmeras, das mais grotescas às mais polidas.
Tudo para dizer que está demitido. Entretanto,
é possível sair vitorioso de uma derrota?
Talvez sim, dependerá de como o indivíduo
verá a situação. Cada ponto de vista
é a vista de um ponto. Cada um terá uma
percepção diferente da mesma situação.
Poderá ser uma visão pessimista ou otimista.
Um verá o copo meio vazio, o outro meio cheio.
Na hora da demissão, alguns profissionais conseguem
fazer uma boa negociação, tanto financeira,
quanto de boas recomendações para o novo
emprego. Brigar não fará com que seja novamente
aceito na empresa, e além de fechar esta porta,
poderá fechar muitas outras. Diplomacia e polidez
podem ser as chaves que abrirão muitas portas para
sua carreira. Assim, o profissional poderá até
sair com a sensação de frustração,
mas continuará com a auto-estima elevada e motivado
para novos desafios. A demissão pode ser vista
como um passaporte, uma passagem, um estágio de
aprimoramento para o novo que está por vir.
Nada que diga respeito ao mundo corporativo deve trazer
a sensação de estranheza, isso porque faz
parte deste universo. Se fizermos parte deste mundo, estamos
sujeitos, tanto às turbulências quanto aos
momentos de serenidade. Quem desenvolve esta consciência,
consegue fazer a travessia com maior facilidade e de forma
mais rápida, pois sabe que é apenas uma
passagem. Quem não assimila com naturalidade, perde
a oportunidade de aprender, além de correr o risco
de cair no esquecimento e saborear apenas o gosto amargo
que a frustração pelo fracasso pode trazer,
ficando estagnado e se lamentando sem dar a volta por
cima. Fracassar é apenas um dos estágios
para o sucesso, continue.
O sucesso depende de você
O
conhecimento está cada vez mais democratizado,
todo mundo tem acesso a tudo. Depende de cada um garimpar
o que acha mais importante e necessário para sua
carreira. A faculdade faz parte dos primeiros degraus
da escada, os próximos serão galgados dependendo
da motivação e do emprenho de cada um, traçando
estratégias e estabelecendo objetivos para serem
alcançados no curto, no médio e no longo
prazo. É preciso ir além. Depois que se
chega ao sucesso, é necessário mantê-lo,
e para isso o contínuo aprimoramento e crescimento
individual é primordial. O enriquecimento interno
com informações valiosas e o conhecimento
intimo de si mesmo, fará toda a diferença
no mundo corporativo. E você pode tanto trabalhar
para uma hierarquia, ou criar a própria hierarquia,
buscando sua independência financeira e a liberdade
de implantar seus projetos. Para isso é necessário
preparação, disciplina e acreditar em si
mesmo.
A palavra desistir não deveria fazer parte do vocabulário
de quem busca o sucesso e o reconhecimento profissional,
a menos que realmente queira abrir mão disso. Tentar
de novo é a ordem do dia, de cada dia. Muitos grandes
nomes corporativos passaram por situações
de fracasso, mas não desistiram, e é por
isso que conseguiram destacar-se e chegar aonde chegaram.
Sem dúvida o caminho até o topo é
longo, todavia dependerá apenas de você para
chegar lá. Você é quem decidira o
que quer ver impresso em seu currículo: persistente
ou desistente. Não desista antes de tentar de novo,
o lenhador sabe que não foi a última machadada
que derrubou a árvore, mas sim a soma de todas
as outras. Porém, se não fosse a última
não teria conseguido. Persista, a oportunidade
pode estar na próxima porta.
Não se tem garantia de um sucesso no presente,
quem o teve no passado. Por isso a necessidade de inovar
e ir mais longe. Aprimorar e estar aberto para o que está
por vir. A roda viva do mundo não para, porque
você pararia? Ou se entra no carrossel ou se assiste
o contínuo girar e o contínuo lamentar-se
de tudo o que poderia ter feito e não fez. Pense
e aja rápido, a não ser que estrategicamente
se aguarde o tempo certo. Assim como alguns estão
no passado, muitos podem estar no futuro, demasiadamente
distante, para isso o equilíbrio, buscando outras
possibilidades no presente.
Aquele
que pensa ter todas as respostas, por certo não
precisa mais aprender. É ai que está o engano.
Parar de aprender é sinônimo de fracassar.
Admitir a ignorância é o primeiro passo para
a sabedoria ou o conhecimento, o que facilita o sucesso.
É preciso reconhecer e se conscientizar do lugar
em que você está. Não imaginar que
está muito acima, nem muito abaixo do real. Sabendo
onde se está, fica mais fácil saber de que
ponto se deve partir para se chegar onde se quer. Assim,
não subestimará sua capacidade, nem do outro
ou o fracasso em questão. A percepção
de que se está imune ou acima de qualquer fracasso
já é um indicio de que provavelmente erros
poderão acontecer, antecedendo fracassos.
O
sucesso está alicerçado em pelo menos dois
pilares, o profissional e o pessoal. Quando o indivíduo
não consegue ter bem claro estes dois papéis
e se liga em demasia a um deles, como por exemplo, a empresa,
uma cegueira pode ser instaurada, e nada mais se vê
além do profissional. Com isso, o pessoal fica
claudicante perdendo o equilíbrio e as rédias
da vida. O que pode resultar em efeitos colaterais como
stress, síndrome do pânico, ataques cardíacos
ou qualquer outro sintoma produzido no corpo ou na mente,
como um aviso de que algo precisa ser mudado ou melhorado.
O
sucesso é a conseqüência de um caminho
que foi escolhido e seguido. Um contínuo de erros
e acertos, um contínuo autoconhecer-se, com desenvolvimento
técnico e psicológico visando alcançar
os melhores resultados. É a disciplina diária
que nos torna grandes profissionais, grandes homens.
Dentro de cada um de nós existe um fracassado
e um vitorioso, depende de cada um decidir o que vai
ser, tanto no presente quanto no futuro.
Referências
Bibliográficas
GOLEMAN,
D. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro, Editora
Objetiva, 1996.
O’CONNOR, J. SEYMOUR, J. Introdução
à programação neurolinguística.
São Paulo, Summus Editorial, 1990.
KIYOSAKI, R, Aposentado, jovem e rico. Rio de Janeiro,
Editora Campus, 2003.
*Odair
José Comin, Psicólogo, Hipnoterapeuta e Escritor
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