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Entrevista - Revista Coop

 
 

Sobre Déjà vu

Por Ivanilde Sitta

1 - Na sua opinião, o que é déjà vu? Fale um pouco sobre isso.
OJC: O termo déjà vu foi empregado pelo pesquisador em fenômenos psíquicos, Emile Boirac (1851-1917), e significa já visto. É a impressão de já termos visto ou experimentado uma determinada situação, porém, a sensação é de estar acontecendo pela primeira vez.


O fenômeno pode estar ligado a uma memória que não foi codificada pelo cérebro de forma clara. No caso de rever ou reviver novamente a situação, estamos falando de um fato real, mas que o cérebro não identifica como tal, pois temos apenas uma vaga lembrança. O déjà vu, também pode estar associado à pseudo-memória, ou seja, memórias falsas que vamos criando no decorrer do tempo, pode ser um sonho, uma história, ou uma fantasia de infância que aceitamos como verdadeira no passar dos anos. Neste caso, o déjà vu se não basearia em um fato real, mas numa criação da mente.
Outra possibilidade, é de que a sensação pode ser completamente nova, porém, a liberação de neuroquimicos no cérebro, aciona determinadas conexões que causam estranheza, levando o indivíduo a pensar que já viu o que está vendo. Isso é comprovado pelo fato deste fenômeno estar muito ligado à pacientes psiquiátricos e precedendo ataques de epilepsia do lóbulo temporal.


Essas experiências podem causar estranheza ou mesmo causar perturbação, principalmente no caso do indivíduo não conseguir fazer nenhuma ligação entre o que está vendo e o que aconteceu no passado. Muita vezes, esses fatos aconteceram numa infância remota, e por isso, a dificuldade maior de associar com a realidade, pois, a sensação de já ter visto, no caso de uma memória, é porque realmente isso aconteceu. Todavia, a mente não consegue chegar a essa conclusão, abrindo brechas para inúmeros questionamentos e mesmo levando a pensar em fenômenos paranormais, clarividência, vidas passadas, entre outros.

2 - Tem a ver com vidas passadas?
OJC: Por tais explicações, acredito que o fenômeno de déjà vu não tenha relação com vidas passadas, mas sim com experiências de sua história de vida desde a concepção ou mesmo na vida intrauterina.

3- Todo mundo está sujeito a viver essa situação?
OJC: Sim, a possibilidade é igual para todos, alguns com maior probabilidade do que outros, depende muito da forma que se relaciona com a própria memória, e sua história de vida. Em caso de pacientes psiquiátricos, é uma questão biológica, doença ou perturbação mental. Neste caso a probabilidade é maior, facilitado pela condição mental.

4- Podemos procurar essas situações?
OJC: Aparentemente não se vê nenhum ganho em buscarmos ou eliciarmos o fenômeno de déjà vu. Se tivermos um ganho terapêutico, neste caso sim é interessante. Por meio da hipnose, se o paciente achar necessário elucidar o fato, ou seja, ter a certeza de que foi uma memória real ou uma pseudo-memória, e se isso for ajudar a solucionar um problema, podemos busca-las. Na verdade, não seria para eliciar o déjà vu, (haja visto, o fenômeno não ser induzido ou forçado, e sim ser inconsciente, acontecendo sem estarmos esperando), mas sim para elucidar o fenômeno.

  Entrevista para a Revista Coop.

 *Odair José Comin, Psicólogo, Hipnoterapeuta e Escritor  

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