Sobre
Hipnose
Por
Ivanilde Sitta
1
- Em primeiro lugar, gostaria de saber qual o mecanismo
da hipnose. Trata-se de um estado de profundo relaxamento
ou sonolência? Como se chega a esse estágio? A partir
do momento que a pessoa é hipnotizada, qual o papel
do médico?
OJC:
A hipnose não é relaxamento, sonolência ou mesmo
o sono, porém estes podem servir de caminho até a hipnose.
A hipnose são fenômenos naturais e específicos da mente
que produzem diferentes impactos, tanto físicos quanto
psíquicos. Esses fenômenos poderão ser induzidos ou
auto-induzidos através de estímulos provenientes dos
cinco sentidos, sejam eles conscientes ou não.
Quanto
aos mecanismos da hipnose, estes podem ser entendidos
de duas formas, enquanto indução que é a forma como
se chega à hipnose e enquanto intervenção, que é o que
fazer quando se está lá (papel do profissional). Na
indução existem basicamente seis formas diferentes para
que a hipnose possa ser alcançada:
a)
Relaxamento, que é uma diminuição da atividade, tanto
física quanto mental;
b)
Cansaço, um processo que leva a exaustão por um estímulo,
como no caso do pêndulo, ou olhar fixamente em um ponto
específico;
c)
Transe, que é um estado em que a atividade psíquica
recebe um direcionamento específico e intensificado;
d)
Direcionamento de experiências, neste caso leva-se o
paciente a entrar em contato com suas diferentes experiências
e focar sua atenção nelas;
e)
Confusão, esta é uma quebra do raciocínio lógico, depois
dessa quebra o hipnoterapeuta possibilita sugestões
facilmente aceitas pelo paciente; e
f
) Diminuição de estímulos externos,
como o barulho e o próprio fechar dos olhos.
Enquanto
intervenção hipnótica, utiliza-se uma comunicação específica
de acordo com a realidade única e individual de cada
paciente, com o objetivo desta ter o efeito de solução
e mudança, e o papel do hipnoterapeuta é exatamente
este, provocar mudanças, e para isso deve conhecer a
realidade do seu paciente e assim poder ajuda-lo com
mais eficácia.
2
- A hipnose tem se mostrado eficiente no tratamento
ou cura de quais doenças?
OJC:
A hipnose é eficiente na grande maioria dos problemas
ou doenças, além dos traumas que muitas vezes são a
causa da doença ou problema atual. Poderíamos citar
algumas como a depressão, ansiedade, síndrome do pânico,
stress, gagueira, fobias, disfunções sexuais tanto femininas
quanto masculinas, distúrbios alimentares, entre outras.
3
- O que acontece no organismo ou cérebro do paciente
para que esses efeitos positivos possam acontecer?
OJC:
O Ser Humano torna-se e é, basicamente, como e o
que pensa sobre si mesmo, somos frutos e agentes de
aprendizagens e estas são possibilitadas pela interação
dos nossos pensamentos, sentimentos e o meio onde vivemos.
Essa interação terá influências em nosso organismo e
mente, que podem ser positivos ou negativos, possibilitando
um fortalecimento ou enfraquecimento do nosso sistema
imunológico. Sendo a hipnose fenômenos da mente que
provocam impactos físicos e mentais, na medida em que
há um direcionamento dos pensamentos, da atenção ou
energia psíquica para uma solução específica, a própria
mente, assim como o organismo se mobilizam para que
isso aconteça. Portanto, a comunicação empreendida deve
ser adequada e enquadrada à cada paciente, para que
esses efeitos positivos aconteçam.
4.
A hipnose pode ser usada também como forma preventiva
de doenças?
OJC:
Sim, a hipnose pode possibilitar um pensar mais
saudável na busca de uma vida melhor, para que assim
possamos direcionar nossos pensamentos pela via do fortalecimento
do sistema imunológico. Com um organismo forte e uma
mente sadia previne-se de qualquer tipo de doença. Além
disso, a hipnose pode ser utilizada no caso de pré e
pós cirurgias, para que o paciente possa se sentir mais
tranqüilo e a recuperação seja mais rápida. Também é
utilizada para evitar o sangramento na cirurgia, útil
tanto para médicos como para dentistas.
5.
Quem pode exercer a técnica da hipnose? Ela é regulamentada
no Brasil?
OJC:
A hipnose é regulamentada no Brasil, e atualmente
pode ser exercida por psicólogos, médicos e dentistas,
cujos conselhos federais e regionais aprovaram seu uso
nestas categorias.
6.
A hipnose pode ser usada para mal? Ou seja, o médico
ou terapeuta pode induzir o paciente de forma negativa?
OJC:
Sim, essa possibilidade existe, ao mesmo tempo
em que temos nossas defesas, que nossa mente usa para
nos proteger e que estão internalizadas. Dificilmente
um paciente fará algo contrario a sua vontade, porém
dependendo do grau de sugestionabilidade do paciente
isso pode ser facilitado. Portanto, é sempre importante
buscar um profissional idôneo e com formação regulamentada
para o uso da hipnose, assim como com especialização
em hipnose de no mínimo 360hs.
7.
Todo mundo pode ser hipnotizado? Há pessoas que resistem
a essa técnica?
OJC:
Sim, pois a hipnose é um fenômeno inerente à mente
humana, portanto todos podem ser hipnotizados, o que
poderá diferenciar é a forma como cada paciente pode
ser levado ao transe ou hipnose. Não é que há pessoas
resistentes, há hipnoterapeuta que não conhecem seus
pacientes, na medida em que este conhece a realidade
individual de seu paciente, encontrará formas adequadas
para conduzi-lo ao transe, salvo pessoas que tenham
algum problema mental ou mesmo lesões cerebrais.
8.
Quais os avanços da Ciência nos estudos sobre hipnose
e quais as perspectivas dessa técnica ser utilizada
em larga escala em hospitais e clínicas médicas?
OJC:
Cientistas que pesquisam os fenômenos da hipnose
vem conseguindo muitos avanços e publicando seus artigos
em revistas importantes, como a Natute, Scientific American
e Superinteressante. Para citar um exemplo de uma pesquisa
feita pela Universidade de Harvard em conjunto com Stanford,
dezesseis voluntários observaram imagens em cores na
tela de um computador. O objetivo era provocar alucinação
visual positiva e negativa, fenômenos da hipnose. Depois
de hipnotizados, eles foram sugestionados a verem as
mesmas imagens que eram coloridas, porém agora em cinza.
Nesse momento, o cérebro ativou uma região que inibe
a visão das cores. Ou seja, sem nenhuma possibilidade
de farsa, o cérebro passou a ver em preto e branco.
Mais tarde, os mesmos voluntários foram induzidos a
ver cores em imagens onde elas não existiam. E outra
vez os resultados confirmaram que o cérebro estava mesmo
"vendo" colorido.
Muito
ainda há para ser pesquisado, e na medida em que as
pesquisas avançam, a credibilidade aumenta, as pessoas
começam a perceber os resultados que normalmente são
mais rápidos e eficazes, buscando assim esse modelo
de tratamento. Em consultórios de psicologia a hipnose
já é largamente utilizada, e começa a ser mais utilizada
em clínicas odontológicas e médicas. Em hospitais como
o do servidor público em São Paulo já vem sendo utilizada
e está sendo bem aceita, trazendo resultados.
9.
Quais os principais receios dos pacientes quanto a hipnose?
OJC:
Os receios são diversos, alguns mais corriqueiros, outros
são medos muito particulares, como por exemplo: ir para
algum lugar do passado e não voltar mais; mudar algum
comportamento que não querem que seja mudado; não poderem
ser hipnotizados; medo do que poderá acontecer durante
a hipnose; medo de perder o controle; de serem usados
por alguém que não conhecem; medo do próprio hipnoterapeuta,
de não ser capacitado; além de outros receios.
Entrevista
para a Revista Coop.
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José Comin, Psicólogo, Hipnoterapeuta e Escritor
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Delphos Instituto de Psicologia e Hipnose