Quem
é capaz de ajudar-se a si mesmo? Como se pode ajudar
a si mesmo? "Cada cabeça uma sentença", cada
mente a qual chega a essa pergunta, traduziria de uma
forma diferente as respostas. Para auto-ajudar-se, talvez
antes fosse necessário auto-conhecer-se, "conhece-te
a ti mesmo", no templo de Delphos estava a chave
onde cada Ser Humano poderia abrir as portas ou catacumbas
de sua mais íntima sabedoria, espírito ou alma. Conhece-te
a ti mesmo, e então poderá auto-ajudar-se. A "receita"
parece a mesma para todos, porém a forma de fazer este
banquete, será diferente para cada indivíduo.
Como
conhecer-se a si mesmo? Aqui está a grande pergunta,
uma dúvida que atravessa milênios e mesmo com toda a
evolução da cultura humana e seu privilegiado pensamento,
a resposta ainda parece esconder-se dentro de cada humano.
Tão escondida que alguns desistem de procurar, outros
nunca nem quiseram tentar, enquanto muitos ignoram totalmente
sua existência e pouco a acham. Sua busca é digna de
comparação aos heróis e mitos gregos, através de Homero,
Sófocles e outros. O herói parte em busca do desconhecido,
do tesouro, da mulher amada, de seu destino.
Para
conhecer-se a si mesmo, talvez seja necessário uma auto-reflexão
sobre seus pensamentos, sentimentos, palavras e ações.
Questionamentos sobre o que causa dor e o que causa
prazer, o que lhe traz tristeza e o que lhe traz felicidade.
O que gosta de fazer, o que faz por conveniência, obrigação
ou desgosto. Quais são os motivos que o levam a fazer
algo, a viver mais um dia, a amar. Descobrir porque
sonha o que sonha, qual o sentido da própria vida. Buscar
os princípios que regem sua existência, as raízes que
alimentam sua vida e de onde vem a seiva.
Através
do convívio com as outras pessoas vamos delineando nosso
caráter. Vamos sendo moldados pela interação com o outro
e com nós mesmos. Aprendemos, comparamos, absorvemos,
articulamos dados, que nos levam a termos diferentes
pensamentos e sentimentos, diferentes aprendizagem de
forma percebida ou não. Partimos de pontos para chegarmos
a outro. Fugimos aqui, nos encontramos lá. Vamos na
direção do que é bom, nos distanciamos do que achamos
ruim. É a dinâmica da existência humana e seus labirintos,
praças e caminhos. Conhecer-se. Conhecer-se para se
chegar à lucidez da existência, para auto-ajudar-se,
eis aqui um passo para a liberdade.
Odair
J. Comin
Psicólogo e
Hipnoterapeuta