O DSM-4 caracterísa os transtornos do humor em: episódio
depressivo maior; episódio maníaco; episódio misto; episódio
hipomaníaco; transtornos depressivos; transtorno distímico;
transtornos bipolares I e II; transtorno ciclotímico e transtorno
do humor induzido por substâncias. Veja a descrição dos
principais transtornos do humor.
Episódio
Depressivo Maior
Se
caracteriza por um ou mais episódios depressivos, ou seja,
pelo menos duas semanas de humor deprimido ou perda do
interesse em geral, associado ao quadro de depressão. O
Transtorno Depressivo Maior pode começar em qualquer idade,
situando-se a média em torno dos 25 anos. Está associado com
uma alta mortalidade. Os indivíduos com Transtorno Depressivo
Maior severo, que morrem por suicídio chegam a 15 por cento.
O
Transtorno Depressivo Maior é duas vezes mais comum em
mulheres adolescentes e adultas do que em adolescentes e
adultos do sexo masculino. Em crianças, meninos e meninas são
igualmente acometidos. Os índices em homens e mulheres são
mais altos no grupo dos 25 aos 44 anos, sendo menores para
homens e mulheres com mais de 65 anos. Aparece com mais
facilidade em indivíduos que possuem parentesco com pacientes
acometidos pelo estado depressivo.
Transtorno
Distímico
Caracteriza-se
por pelo menos dois anos de humor deprimido na grande maioria
do tempo, ou seja, praticamente todos os dias, além de ser
acompanhado por sintomas depressivos. Os pacientes se
descrevem como tristes e sem vontade. Em criança ao invés de
deprimido, o humor pode ser irritável, e com duração de um
ano já é caracterizado como transtorno distímico.
Normalmente
durante o período com este humor deprimido, o indivíduo pode
apresentar sintomas como apetite aumentado ou hiperfagia, insônia
ou hipersonia, baixa energia ou fadiga, baixa auto-estima,
fraca concentração ou dificuldade de tomar decisões, além
de sentimentos de desesperança. Percebem-se como
desinteressantes e incapazes, baixo interesse e autocrítica.
É importante salientar que estes sintomas tornam-se tão
constantes e cotidianos, que podem não ser percebidos pelos
pacientes.
Transtorno
Bipolar I
É
caracterizado por um ou mais episódios maníacos mistos,
geralmente acompanhados por episódios depressivos maiores.
Neste caso há uma alternância de humor em deprimido e eufórico.
A recorrência é indicada por uma mudança na polaridade do
episódio ou por um intervalo entre os episódios de pelo
menos dois meses sem sintomas maníacos. Uma mudança na
polaridade é definida como um curso clínico no qual um Episódio
Depressivo Maior evolui para um Episódio Maníaco.
O
Transtorno Bipolar I é um transtorno recorrente, mais de 90
por cento dos indivíduos que têm um Episódio Maníaco Único
terão futuros episódios. Aproximadamente 60 a 70 por cento
dos Episódios Maníacos freqüentemente precedem ou se seguem
a Episódios Depressivos Maiores em um padrão característico
para a pessoa em questão. O número de episódios durante a
vida (tanto Depressivos quanto Maníacos) tende a ser superior
para Transtorno Bipolar I, em comparação com Transtorno
Depressivo Maior Recorrente, porém o intervalo entre os episódios
tende a diminuir com a idade.
Transtorno
Bipolar II
A
característica essencial do Transtorno Bipolar II é um curso
clínico marcado pela ocorrência de um ou mais Episódios
Depressivos Maiores, acompanhados por pelo menos um Episódio
Hipomaníaco. Os sintomas causam sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social ou
ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Em alguns casos, os Episódios Hipomaníacos em si não causam
prejuízo; no entanto, este pode decorrer dos Episódios
Depressivos Maiores ou de um padrão crônico de episódios
imprevisíveis de humor e de um funcionamento interpessoal ou
ocupacional flutuante e inconfiável.
Os
indivíduos com Transtorno Bipolar II podem não ver os Episódios
Hipomaníacos como patológicos, embora outras pessoas possam
sentir-se perturbadas pelo comportamento errático do indivíduo.
Muitas vezes, particularmente quando em meio a um Episódio
Depressivo Maior, os indivíduos não se recordam dos períodos
de hipomania se não forem lembrados por amigos íntimos ou
parentes. As informações oferecidas por outras pessoas freqüentemente
são críticas para o estabelecimento do diagnóstico de
Transtorno Bipolar II.
Transtorno
Ciclotímico
A
característica essencial do Transtorno Ciclotímico é uma
perturbação crônica e flutuante do humor, envolvendo
numerosos períodos de sintomas hipomaníacos e numerosos períodos
de sintomas depressivos. O prejuízo mais frequênte pode
desenvolver-se como resultado de períodos prolongados de
alterações cíclicas e freqüentemente imprevisíveis de
humor, a pessoa acaba por perder a confiança de amigos,
familiares ou colegas por ser considerada temperamental, ou
“de lua”.
Transtorno
do Humor Induzidos por Substâncias
A
característica essencial do Transtorno do Humor Induzido por
Substância é uma perturbação proeminente e persistente do
humor, considerada como devido aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (droga de abuso, medicamento,
outros tratamentos somáticos para a depressão ou exposição
a uma toxina). Dependendo da natureza da substância e do
contexto no qual os sintomas ocorrem, a perturbação pode
envolver humor depressivo ou acentuada diminuição do
interesse ou prazer, ou humor elevado, expansivo ou irritável.
Embora a apresentação clínica da perturbação do humor
possa lembrar a de um Episódio Depressivo Maior, Episódio
Maníaco, Misto ou Hipomaníaco, não são satisfeitos todos
os critérios para um desses episódios. O tipo de sintoma
predominante pode ser indicado pelo uso de um dos seguintes
subtipos: Com Características Depressivas, Com Características
Maníacas, com Características Mistas.
Os
sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras
áreas importantes da vida do indivíduo. Em alguns casos, o
indivíduo pode ainda ser capaz de funcionar, mas apenas com
um esforço acentuadamente aumentado. Os Transtornos do Humor
Induzidos por Substância surgem exclusivamente em associação
com estados de intoxicação ou abstinência, enquanto os
Transtornos do Humor primários podem preceder o início do
uso da substância ou ocorrer durante períodos de abstinência
prolongada. Uma vez que o estado de abstinência para algumas
substâncias pode ser relativamente retardado, o início dos
sintomas de humor pode ocorrer até 4 semanas após a cessação
do uso da substância.
A
hipnose é indicada para o tratamento dos transtornos do
humor, normalmente associada a indicação de fármacos,
principalmente para que no início do tratamento com a hipnose
se possa controlar alguns dos sintomas mais crônicos.
Odair
J. Comin
Psicólogo e
Hipnoterapeuta
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