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Dor no cérebro: não é o que você imagina...

Pesquisadores estão a um passo de solucionar o mistério da dor sem explicação médica, tal como a dor crônica no dorso inferior, que continua a embaraçar os médicos. Um estudo que explora a experiência da dor em indivíduos voluntários hipnotizados descobriu que alguns tipos de dor cujas causas não podem ser traçadas a uma condição médica, podem ter suas origens em nossos cérebros, e não em nossos corpos.

O estudo, realizado no University College London e no University of Pittsburgh Medical Centre, descobriu que os voluntários que sentiram dor como resultado de sugestão hipnótica, apresentaram atividade cerebral visivelmente similar a dos indivíduos submetidos a dor física através de pulsos de calor de 49 graus Celsius.


O estudo, publicado na revista NeuroImage, também descobriu que quando se pedia aos voluntários para simplesmente imaginar que sentiam a mesma dor, estes demonstraram atividade cerebral significativamente diferente daquelas apresentadas sob condições de dor física e de sugestão via hipnose.


O Dr. David Oakley, Diretor da Unidade de Hipnose do UCL, disse: “O fato da hipnose ter sido capaz de induzir experiência dolorosa genuína sugere que alguma dor realmente pode ter início em nossas mentes. Pessoas que relatam este tipo de dor não estão simplesmente imaginando-a”.


Em outro estudo de hipnose realizado pelo Dr. Oakley e o Professor Patrick Haggard, também do UCL, explorou a base do livre arbítrio em indivíduos hipnotizados, aos quais pedia-se para que deliberadamente movessem um dedo, enquanto lhes era dito que seu dedo se moveria 'por si mesmo' ou era movido pelos pesquisadores. O estudo, publicado na revista Consciousness and Cognition, concluiu que os voluntários sob hipnose relataram que quando seus dedos moviam-se 'por si só', parecia involuntário, mesmo que tivessem na realidade movido eles mesmos.


O Dr. Oakley disse: "Este estudo questiona a natureza consciente do livre arbítrio, que é um tema importante para a sociedade. Em termos legais, por exemplo, alguém só pode ser considerado responsável por um ato criminoso caso tenha sido realizado com intenção consciente". Em ambos estudo os voluntários foram escolhidos usando-se o Harvard Group Scale of Hypnotic Susceptibility (Escala de Suscetibilidade Hipnótica do Grupo Harvard), onde foram selecionados aqueles que atingiram 8 pontos ou mais na escala que vai até 12. Os voluntários foram hipnotizados usando-se um procedimento simples que envolve imagens, tais como descer escadas ou descer num elevador.


O Dr. Oakley acrescentou: "Estudos como estes, publicados em periódicos científicos respeitáveis, fornecem boa evidência de que a hipnose saiu da Idade Média e é agora reconhecida como uma ferramenta de pesquisa de grande valor. A hipnose oferece uma maneira segura de alterar a experiência de uma pessoa em relação a si mesma ou do mundo à sua volta. Imagens do cérebro apresentam uma outra boa maneira de explorar estas mudanças relatadas — não se pode enganar um tomógrafo com facilidade".

Fonte: eurekalert.org
Tradução: sbhh

 

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