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Sob o bisturi, sob hipnose
Os
Enquanto o bisturi do cirurgião cortava o seu
peito, a inglesa Pippa Plaisted, de 46 anos, deveria
estar em agonia. Normalmente a cirurgia de câncer
no seio de 45 minutos a qual estava se submetendo no
Hospital Lister, em Londres, necessitaria de uma anestesia
geral. Mas a Sra. Plaisted não foi anestesiada
e nem tomou qualquer tipo de sedativo.
Em vez disso, o hipnoterapeuta Charles Montigue permaneceu
ao lado da mesa de operações com seu polegar
tocando a testa da paciente, monitorando o transe hipnótico
no qual a induziu minutos antes do início da
cirurgia. De olhos fechados mas consciente, Plaisted
podia ouvir o cirurgião dizer-lhe calmamente,
a cada passo da operação, o que estava
acontecendo.
Plaisted já havia usado a hipnoterapia para ajudar-lhe
a vencer o medo de cirurgias, mas nunca havia tentado
a técnica numa cirurgia. Parecia uma coisa ousada
de se fazer, mas ela estava desesperada para evitar
os anestésicos convencionais, pois após
operações anteriores as drogas a deixaram
com tonturas durante meses.
A hipnose, para sua surpresa, foi capaz de tornar sua
operação completamente sem dor. "O
cirurgião estava cortando e costurando dentro
de mim, mas eu não sentia qualquer sensação",
lembra a Sra. Plaisted. "Após a operação
eu me senti cansada, mas não houve náuseas
ou tontura. Minha mente estava clara e me sentia totalmente
normal".
Para a maioria das pessoas, a idéia de se submeter
a uma cirurgia enquanto consciente parece impensável,
mas o uso da hipnose pela Sra. Plaisted não é
único. No hospital de Liege, na Bélgica,
os anestesistas rotineiramente usam um procedimento
que chamam de "hipnosedação".
Eles descobriram que a hipnose médica, quando
combinada com anestésicos locais e quantidades
muito reduzidas de outras drogas analgésicas,
torna-se uma alternativa eficaz para a anestesia geral.
Até agora a equipe do Hospital de Liege já
usou esta técnica em cerca de 4.800 cirurgias
de grande e de pequeno porte. Agora, outros departamentos
do hospital estão começando a adotar a
hipnose médica.
A equipe do hospital de Liege ainda usa a anestesia
geral quando absolutamente necessária, tal como
em cirurgias de estômago, de tórax ou ortopédicas,
onde é impossível anestesiar todos os
nervos com uma anestesia local. Marie-Elisabeth Faymonville,
a chefe da equipe, não se convence, entretanto,
da segurança da anestesia geral: "Como anestesiologistas,
estamos apenas começando a nos perguntar se é
mesmo tão inofensiva como dizemos que é.
Não sabemos nada a respeito das repercussões
a longo prazo dessas drogas no cérebro."
Até agora, os estudos sobre os efeitos a longo
prazo da anestesia geral tem sido realizados em sua
maioria em animais e em cultura de células, tornando
difícil conclusões firmes a respeito dos
efeitos na saúde humana. "No momento, existem
apenas pistas de evidências", afirma o anestesista
Steffen Meiler, do Medical College of Georgia, na cidade
de Augusta, Estados Unidos. "Temos um vasto conjunto
de relatos clínicos sobre a segurança
da anestesia geral. Porém, temos estas intrigantes
trilhas de evidências."
A equipe do hospital de Liege descobriu que a hipnosedação
apresenta alguns benefícios dignos de nota. Em
primeiro lugar, os pacientes sangram menos. Isto torna
a cirurgia mais fácil de ser realizada, particularmente
operações de nariz ou de seio, onde as
incisões frequentemente causam grande sangramentos.
Uma das razões para este sangramento reduzido
é que as drogas anestésicas inibem a tendência
natural dos vasos sangüíneos de se contraírem
em reação a uma incisão. Pacientes
sob anestesia geral também necessitam ser ventilados
com um respirador. "Isto cria uma pressão
positiva no peito, o que aumenta o sangramento. Já
na hipnosedação, os pacientes respiram
espontaneamente.
Fonte:
newscientist.com
Tradução: sbhh
Copyright ©
Delphos Instituto de Psicologia e Hipnose
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