A terapia por meio da hipnose parece ser um tratamento
efetivo para um distúrbio intestinal comum conhecido
como síndrome do cólon irritável (SCI), sugeriu um estudo
recente.
Essa
síndrome afeta mais mulheres do que homens e se caracteriza
por um conjunto de sintomas que incluem constipação,
diarréia, dor e inchaço abdominal. A causa do distúrbio,
porém, ainda é desconhecida.
Os
resultados de estudos anteriores já indicavam que a
hipnoterapia era efetiva para combater o problema e,
por esse motivo, o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha
criou a primeira unidade de tratamento, formada por
uma equipe de seis profissionais. O trabalho atual foi
realizado para avaliar a efetividade da terapia entre
os primeiros 250 pacientes da unidade.
"Esse
estudo demonstrou claramente que a hipnoterapia continua
sendo um tratamento extremamente efetivo para a síndrome
do cólon irritável e prova uma relação de custo/benefício
maior que a proporcionada pelo uso de drogas novas,
que chegam ao mercado com preços elevados", afirmou
a equipe de Wendy M. Gonsalkorale, do Hospital Universitário
do Sul de Manchester (Grã-Bretanha).
Os
voluntários da pesquisa foram submetidos a 12 sessões
de hipnoterapia durante três meses. Os cientistas solicitaram
aos participantes que usassem uma fita cassete para
praticar a técnica em casa, entre as sessões.
Após
o tratamento, os pacientes informaram melhora do problema
de um modo geral e também a melhora de fatores específicos,
como gravidade e freqüência da dor, inchaço abdominal,
insatisfação com os hábitos intestinais e transtornos
cotidianos provocados pela SCI, indicou o estudo.
Mais
de três quartos (78%) dos voluntários apresentaram melhora
dos hábitos intestinais, da freqüência de evacuação
e da consistência das fezes, após a hipnoterapia, afirmaram
os pesquisadores em artigo publicado no American Journal
of Gastroenterology. Os demais participantes não tiveram
alteração ou apresentaram uma pequena piora.
Outros
sintomas percebidos pelos pacientes e não-relacionados
ao cólon, como letargia, dores no corpo e nas costas,
também diminuíram após o tratamento, indicou o trabalho.
A terapia também foi relacionada à melhora da qualidade
de vida dos pacientes - item que incluiu o bem-estar
físico e psíquico - e à redução da ansiedade e da depressão.
De
acordo com a pesquisa, o tratamento pareceu ser mais
efetivo entre as mulheres que entre os pacientes do
sexo masculino.
No
início do estudo, as mulheres classificaram os sintomas
da SCI e os não-relacionados ao cólon como mais graves
que os homens. Elas também apresentaram queixas de inchaço
abdominal mais intenso, indicou o trabalho. Após a hipnoterapia,
as pacientes atribuíram a esses sintomas intensidade
menor que os homens.
A
diferença de classificação pode ser decorrente do fato
de os homens com diarréia terem apresentado uma melhora
inferior a das mulheres, principalmente em relação à
interferência da SCI no cotidiano e à insatisfação com
os hábitos intestinais, informaram os pesquisadores.
Por
exemplo, esses pacientes relataram que tiveram, em média,
28 evacuações por semana, após a hipnoterapia. Já as
mulheres registraram uma média de 21 evacuações semanais.
Apenas 54% dos homens disseram que seus hábitos intestinais
melhoraram, enquanto a mesma afirmação foi feita por
82% das mulheres.
Com base nesses resultados, os pesquisadores concluem
que a hipnoterapia "pode ser menos útil para os
homens com hábito intestinal predominante de diarréia".
The
American Journal of Gastroenterology 2002;97:954-961
Yahoo/Reuters
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