A
Filosofia vem permeando o conhecimento e o desenvolvimento
humano há milênios. Desde os primeiros filósofos,
elucubrações, críticas, questionamentos, perguntas,
novos princípios e novos conteúdos vão sendo instaurados
por mentes e em mentes que pensam sobre a vida
humana.
Quais
conceitos existem por trás das palavras
usadas na comunicação entre as pessoas? De
quais princípios cada um parte para pensar
e agir de determinada forma? Como o ser
humano age frente a seus conflitos? Como se
chega a determinadas conclusões? Como o
homem escolhe em que e em quem acreditar?
Como lhes são instauradas determinadas crenças,
percebidas ou não? Como cada um absorve os
conhecimentos? Como o ser humano lida com
suas angústias cotidianas? Estas e outras são
perguntas que muitos buscam respostas.
Perguntas que fazem parte de discussões teóricas
de diversas linhas terapêuticas, e do
conhecimento humano.
A
questão, a saber, é se realmente existem
respostas, ou se a resposta que serve para
um, serve para o outro. Ou ainda, se as
pessoas estão preparadas para fazer essas
perguntas, ouvir as respostas, e o mais
importante, prontas para lidar com essas
respostas. Como saber qual é o momento
certo? Como saber se estão ou não
preparadas?
Certamente
não nascemos sabendo lidar com tudo isso.
Precisamos aprender. Precisamos entrar em
contato com conceitos, apreender e
incorporar novos conhecimentos, novas experiências
e novas aprendizagens. E isso nos remete a
pensar, que cada um é responsável por suas
aprendizagens. E se você é responsável
por suas aprendizagens, é responsável pela
sua mudança. E mudar significa aprender
algo diferente.
Desde
o nascimento da razão negativa postulada
por Sócrates (470-399 a.C.), que diz
respeito ao conceito vazio que existe por trás
das palavras na comunicação humana, a
Filosofia vem tentando questionar e embasar
conceitos da comunicação. “As experiências
deveriam preceder os conceitos” (Rousseau,
1712-1778). Ou seja, não deveríamos educar
através de provérbios. Se dissermos a uma
criança, “a mentira tem pernas curtas”,
antes dela saber as conseqüências de uma
mentira, este conceito não terá associações
ou articulações com suas experiências
passadas. Algumas pessoas podem levar anos
até descobrir o verdadeiro significado.
A
terapia aqui, é entendida como uma forma de
educar o Ser Humano, recria-lo, rever sua
história de forma diferente, construir um
presente mais lúcido e feliz, abrindo
possibilidades para uma continuação
futura.
Crescemos
ouvindo, aprendendo e falando muitas
palavras, sem saber o que elas
significam, sem perceber seus conteúdos (o
saber de si) e refletir profundamente sobre
eles. Muitas vezes as pessoas discutem sobre
a mesma coisa, mas não chegam a um
entendimento, porque o significado de cada
palavra, é diferente para cada um.
Por
que não discutir palavras como: justiça,
liberdade, ética, amor, felicidade, raiva,
dor, sofrimento, respeito, solidão, mágoa,
paixão entre outras. Discutir e desenvolver
virtudes como: tolerância, polidez, prudência,
doçura, humor, humildade, temperança, etc.
Dando condições ao indivíduo de perceber
por ele mesmo, quais impactos essas palavras
causam em sua vida, que talvez até então não
percebia.
As
vezes pessoas sofrem porque aprenderam conteúdos
que não deviam, porque não passaram por
algumas experiências e por isso não
conseguem lidar com determinadas situações,
porque o que aprenderam já não serve mais.
Porque as pessoas não as entendem ou porque
ela não entende as outras pessoas. Isso faz
parte da realidade de cada um, do saber que
cada um tem de si e suas diferentes dinâmicas.
Vemos
inúmeras linhas terapêuticas, tentando
trabalhar as angústias, os problemas, os
conflitos humanos através de técnicas. Será
esta a forma de fazer terapia? Se para a
maioria das pessoas determinada técnica
funciona, então usamos com todas? Será
isso correto? Primeiro faça isso, depois faça
aquilo, e chegará ao que você quer. Será
isso verdade? Nenhuma técnica é eficaz
para todas as pessoas, então porque se usa
a mesma de uma forma generalizada? Porque
todos devem ser enquadrados num determinado
padrão? As pessoas não são todas iguais,
não pensam iguais, não agem iguais.
Como
podemos ajudar cada indivíduo dentro das
suas diferenças e semelhanças? Se cada um
é único, vamos trabalhar com cada um.
Dentro do saber de si, do conhecimento
individual, dentro das possibilidades próprias.
E assim eliciando novas aprendizagem, que
geram mudanças, novas experiências, novos
pensamentos, sentimentos, palavras e ações.
A
Filoterapia é baseada da Filosofia, na
Psicologia e na hipnose e em mentes que
pensam e Ser Humano e seus conteúdos. Dá
indicação do que e como aprender, as
possibilidades a serem buscadas para superar
determinado problema e quais caminhos podem
ser seguidos. Ao invés de utilizar apenas técnicas,
municiar o indivíduo com instrumentos que
possibilitem sua mudança, tornando-os
independentes.
O
objetivo da Filoterapia é possibilitar o
trabalho com pessoas diferentes, vendo as
semelhanças dentro de cada um. Utiliza-se a
Filosofia porque ela apresenta idéias sobre
o Ser Humano que poderão influenciar no seu
autoconhecimento, tornando-os criticadores
de si mesmos. A Filoterapia se propõe a
discutir os conceitos, dentro de cada saber
de si, o que cada palavra significa para
aquela pessoa específica, e se existe
congruência com o que é pensado, sentido,
dito e praticado.
O
Ser Humano é regido pelo acúmulo das
diferentes experiências que teve durante a
vida, agindo com elas e sobre elas no
presente. Todavia, o importante é perceber,
que partindo do principio que tudo é
aprendido, tudo pode ser mudado.
Reeducando-se, o indivíduo poderá perceber
sua dinâmica individual pela qual é
regido, e assim, compreender a forma que está
agindo, quais suas crenças, e de que princípios
parte para chegar à determinadas conclusões.
Possibilitando a conquista de um saber de
si, amplo e inovador.
Odair
J. Comin
Psicólogo e
Hipnoterapeuta
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